Por Alex Belmonte
“Nada é tão prejudicial ao estudo da profecia neotestamentária do que imaginar que o Deus Eterno, que está separado e acima do tempo, está limitado pelos relógios e calendários dos homens.”. Edward M. Blaiklock
Há
alguns anos que estudiosos religiosos e sensacionalistas em todo o
mundo se voltam para a contagem do tempo por meio do calendário maia. As
notícias acerca do fim do mundo que já estavam em evidência nos meios
de comunicação, agora possuem data “certa” para a conclusão “profética’”
acerca da destruição do planeta: 21 de dezembro de 2012.
Mas
afinal o que é esse calendário maia? O que realmente se prevê por meio
de sua descrição considerada de cunho profético? O que a Bíblia diz
acerca do fim dos tempos, realmente está ligado á profecia maia como
crêem alguns esotéricos? É o que pretendo abordar com coerência e
conhecimento no assunto proposto.
Primeiro
devo lembrar que encontro nos estudos do calendário maia muitas
divergências entre os chamados especialistas do assunto, além de
conclusões complexas e abstratas quanto a todo esse emaranhado de
informações. Também sabemos da impossibilidade de esgotamento da questão
por esse artigo, por ser amplo e longo a sua abordagem, mas oferecemos
essa contribuição com a intenção de que se torne possivelmente a raiz
para análises dos cristãos e demais leitores.
O Calendário e a História Maia -
O calendário maia na verdade é um sistema de calendários distintos, que
foram usados pela civilização maia da mesoamérica, ou América média e
pré-colombiana. A região fica entre o México e a América do Sul e era
também o lar de outras culturas, entre elas a dos astecas. Os maias
viveram onde hoje está a Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e o
sul do México. Alguns historiadores afirmam que a história maia é
dividida em três períodos: A formativa ou Pré-clássica: de 2.000 a.C.
até 300 d.C; O período clássico: de 300 d.C. até 900 d.C e; o
pós-clássico: de 900 d.C. até a Inquisição espanhola em meados de 1.400.
Mas outros, é claro, situam a história maia bem num período anterior.
É
obvio que os maias não foram os primeiros a usarem um calendário.
Existiram calendários antigos usados por civilizações do mundo todo –
mas eles realmente inventaram quatro calendários diferentes. Dependendo
de suas necessidades, usavam diferentes calendários para registrar cada
evento, sejam sozinhos ou numa combinação de dois calendários. O
calendário mais expressivo é justamente esse que relataremos.
O Calendário e o Tempo -
O Calendário maia é organizado em unidades temporais crescentes. Cada
vinte dias completam o que corresponderia a um mês, ou seja, entre os
nativos, é conhecido por uinal. Dezoito uinals constituem um tun ou o “ano” ocidental. Por sua vez, vinte tuns formam um katun, enquanto quatrocentos tuns configuram o baktun. Esses são os nomes usados para identificar meses e períodos.
O
processo de enumeração ocidental dos séculos é infinito, mas o
calendário maia foi criado com uma duração limitada prescrita, 5.200
anos. Assim, ele teria seu fim em 13.0.0.0.0, transcrita por maioria dos
pesquisadores como a data exata de nossa era: 21 de dezembro de 2012.
Junto
a essa contagem de tempo os maias deixaram também um total de sete
profecias relacionadas ao planeta e a evolução espiritual da humanidade.
Esse é ponto central de toda a agitação em torno do calendário: sua
ligação com eventos previstos para o decorrer da história. As profecias
de fato existem, mas algumas delas, pelo visto, não se cumprirão de
forma literal como pregam alguns e principalmente a mídia especulativa,
mas trata-se de algo na ordem espiritual e interior, que nós aqui
chamamos de movimento astrológico da Nova Era ou ciclo Aquariano.
Dessa
forma consideramos que o final do calendário maia, possivelmente em
2012, seja uma ideia do início de um novo ciclo, assim como o último dia
do ano ocidental dá lugar ao começo de um novo ano. O imaginário é mais
forte do que qualquer técnica adotada pelas sociedades mesoamericanas. E
assim, ouviremos, após esse dia 21 de dezembro de 2012, diversas
autoridades das religiões de mistérios dizerem que, esse calendário
acaba, mas com o reinício de uma nova fase de consciência global por
parte da humanidade.
As profecias Maia e as Profecias Bíblicas -
Os principais estudiosos desse assunto tentam com seu alto bulício
interligar as profecias maia com a Bíblia Sagrada, o que é totalmente
inútil, visto que a Bíblia não possui erros e falhas em sua Inspiração,
como encontramos nos relatos maia - é certo que erros de Tradução são
comuns na Bíblia.
O
que a Bíblia diz acerca do fim dos tempos, ou como alguns que querem
impor usando o termo “mudança de ciclo”, se resumem em três eventos: 1º. Um Governo terreno de uma Nova Ordem Espiritual que se caracteriza por doutrinas contrárias a própria Bíblia (2ª
Ts. 2; 2ª Pe. 2; Ap.13). Trata-se de um mundo distante do Deus
Verdadeiro, pela criação de uma divindade genérica com a força do
sincretismo religioso atuante em nossos dias; 2º. A busca incansável do homem por sua própria divinização e auto-salvação. Isso
resulta na anulação do sacrifício de Jesus na cruz, ou seja, se o ser
humano consegue a salvação por si próprio, por que razão Jesus morreu no
calvário? (Rm. 6.23; 1ª Tm. 2.5; At. 4.12) e; 3º. A volta de Cristo para buscar seu povo, sua Igreja (1ª Ts. 4.16; 1ª Co. 15.52). Sendo
assim, não existe na Bíblia nada que aprove ou se iguale ás profecias
maia, ou de seus intérpretes, pelo contrário, a Palavra de Deus condena
as práticas desses povos antigos, entre essas a de adivinhações que têm
como objetivo tentar desvendar o futuro, usando como ferramenta, a
consulta aos astros:
“Que
não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as
estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines
perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os
povos debaixo de todos os céus”. Deuteronômio 4.19. “Pois
mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a
criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.” Romanos 1.25
O
calendário maia foi criado numa cultura extremamente mística e
espiritualista. Os maias foram influenciados religiosamente pelos povos
olmecas, povo considerado civilização-mãe de todas as civilizações
mesoamericanas, cuja difusão principal foi uma concepção de mundo onde a
contagem cíclica do tempo era interligada a espiritualidade do homem. A
observância do movimento dos astros e dos fenômenos climáticos trazia
ao pensamento religioso maia uma noção de que os fenômenos eram marcados
por uma repetição. Nessa esfera religiosa os rituais também eram de
suma importância, pois fortaleciam as ações dos deuses na preservação da
existência do mundo espiritual. Nesses rituais religiosos os maias
ofereciam sacrifícios humanos e animal. E Deus também condenou tal
prática, de sacrifício humano, quando disse:
“E
edificaram os altos de Baal, que estão no Vale do Filho de Hinom, para
fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque; o que
nunca lhes ordenei, nem veio ao meu coração, que fizessem tal
abominação, para fazerem pecar a Judá.”
Enfim,
as descrições do calendário maia, junto com a interpretação de seus
simpatizantes, nada mais são que a volta ás tradições antigas de povos
primitivos adoradores da natureza, supersticiosos, consultores dos
astros e espiritualistas dos costumes astrológicos, com o fim de
encarapitar e promover as doutrinas já condenadas por Deus e rejeitadas
pelos princípios cristãos. O fim de um calendário para a suposta
comprovação de um novo ciclo revela sua fragilidade, restando assim
apenas o poder da comunicação favorável àqueles que possuem olhos
vendados para a libertação de um julgo carregado há séculos.
Fonte: NAPEC