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terça-feira, 12 de julho de 2011

WIKILEAKS: EUA criticaram preconceito contra comunidade gay no Brasil

Relatório diplomático aponta mais entraves políticos da parte de evangélicos do quie de católicos; para EUA, faltam leis que protejam contra crimes de ódio

Por Mariana Simões, especial para a Pública 

Um documento de fevereiro de 2010 sob o título “desafios aos direitos gays” avalia que existem “brechas” que deveriam ser  transpostas pelo  governo brasileiro para melhor proteger os direitos da comunidade LGBT. O maior desafio, segundo a visão dos americanos, é a falta de legislação que os proteja contra a discriminação por orientação sexual.
“Da mesma maneira, enquanto o acesso a serviços públicos e proteção tem aumentado em algumas regiões, ativistas  LGBT se preocupam que crimes contra a comunidade continuem não sendo reportados”, diz o documento.

Em conversa com o assessor político do consulado de São Paulo, Luiz Mott, pesquisador, professor de antropologia e fundador do Grupo Gay da Bahia, informou que 200 pessoas da comunidade LGBT morrem por ano no Brasil. “O Brasil continua sendo o país campeão de assassinatos de homossexuais, mais de cem gays e transgêneros são assassinados anualmente, homicídios violentos que podem perfeitamente ser tipificados como crimes de ódio,” disse o professor e ativista Luiz Mott, reproduzido no telegrama.

Evangélicos são grande desafio 

De acordo com o documento, ativistas reclamaram da influência da comunidade evangélica como um “desafio significativo”. Lula Ramirez, um ativista LGBT do grupo Cidadania, Orgulho Respeito, Soliedariedade e Amor (CORSA), afirmou ao assessor político do consulado que as igrejas evangélicas levantaram esses temas com o Congresso brasileiro mais do os católicos.
No relato vazado pelo WikiLeaks, a embaixada americana reconhece que o movimento contra a discriminação por orientação sexual tem adquirido muita visibilidade no Brasil. O documento cita que o movimento LGBT  brasileiro obteve atenção internacional em grande escala, em 2000 quando a Parada do Orgulho Gay em São Paulo contou, pela primeira vez, com a participação de 100.000 pessoas.
Mas o documento aponta que a maior visibilidade não tem se traduzido em maior força política. O consulado de São Paulo ouviu segundo quem entidades como a sua sofrem com a falta de representação política a nível nacional.

Mesmo assim, os americanos vêem avanços no nível legais em nível local.O documento cita São Paulo como um exemplo de um estado que tem estendido proteção legal a população LGBT. Em 2000, menciona o texto, foi estabelecida uma unidade de investigação de crimes de intolerância, incluindo aqueles por homofobia.
Em 2001, o estado de São Paulo adotou uma lei administrativa que impede a discriminação, inclusive no mercado de trabalho, por orientação sexual. A lei não tem poder judiciário e não pode criminalizar o ofensor mas ela permite que a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania multe companhias ou indivíduos que intimidam ou discriminem contra pessoas LGBT.

O documento diz ainda que ativistas se contentam com o progresso que tem sido feito em outros estados brasileiros como Pernambuco e Bahia para extender a  proteção dos direitos da população LGBT. O tratamento igual para prisioneiros que recebem visitants nas prisões é citado como um grande avanço.
No entanto, conclui o documento, “com pouco apoio para avançar na legislação, o progresso em relação à equidade de direitos e acesso aos serviços vai ocorrer a médio prazo apenas nos níveis local e estadual”.
O Brasil está em processo de decidir se passará ou não o novo Projeto de Lei da Câmara Federal (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.  A lei busca combater as mais variadas manifestações que podem constituir homofobia. Para cada modo de discriminação, prevê-se uma pena específica, que  pode atingir até 5 anos de reclusão. No entanto, o projeto segue parado no Senado federal.

Fonte: Correio do Brasil

Rio se prepara para ser capital mundial do turismo gay, diz 'The Guardian'

Uma série de iniciativas da prefeitura do Rio de Janeiro para promover a diversidade sexual ajuda a preparar a cidade para se transformar na capital mundial do turismo gay, segundo afirma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário britânico The Guardian.
O jornal relata a festa de lançamento da semana da diversidade, "uma celebração das diferenças culturais e étnicas da cidade e uma tentativa de posicioná-la como a capital global do turismo gay".
O jornal relata ainda que nos últimos meses houve "uma avalanche de iniciativas amigáveis à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) no Rio: cursos vocacionais para travestis, projetos contra intimidação de estudantes gays e lésbicas e uma nova lei proibindo a discriminação nos clubes noturnos da cidade".
A reportagem observa ainda que em fevereiro o prefeito da cidade anunciou a criação de uma secretaria especial para a diversidade, chefiada pelo estilista Carlos Tufvesson, para quem o Rio não é apenas "o destino mais sexy da Terra", mas também um lugar onde a tolerância é natural.

'Fonte de renda'

Casal se beija em casamento coletivo gay no Rio de Janeiro 
Para o Guardian, as iniciativas são "uma potencial fonte de renda" para a cidade. Segundo o jornal, 25% dos turistas que chegaram a cidade no ano passado, ou 880 mil pessoas, eram gays.
"O escritório de turismo da cidade espera elevar esse número ainda mais e publicou folhetos brilhantes com as cores do arco-íris, cheios de fotos de homens musculosos e slogans convidando os turistas a 'viver a sensação do Rio'", diz a reportagem.
O jornal comenta que as iniciativas do governo vêm enfrentando alguma resistência, principalmente entre "a direita religiosa".
Apesar das críticas, porém, as iniciativas do governo Também vêm recebendo elogios de ativistas pelos direitos dos gays, observa o diário.
A reportagem cita uma declaração da top model transexual Lea T. durante o lançamento da semana da diversidade do Rio, para quem "é realmente incrível que o Brasil – um lugar que chamam de país de terceiro mundo – esteja fazendo algo que poucos países fizeram".

Fonte: BBC BRASIL

Assistam o vídeo: